Último video do Canal

Último video do canal

10.05.2025

Yamaha DX7 - O sonho que se tornou realidade

Não é só de games que eu vivo na caçada. Na verdade coisas que derivam do tema...

A saga do teclado começou quando eu tive um teclado quando criança e eu tive um Yamaha PSR 73 (ou pelo menos eu acho que é porque tem variações deste modelo) e eu achava bem legal, mas como criança só fazia barulho.
O tal do Yamaha PSR 73 


Depois de velho eu me deparo com um vídeo mostrando um "brinquedo" da Casio, o famoso VL-TONE e eu achei um máximo. É compacto, com aquele som bem característico de 8 bits e o melhor, você podia programar o som, sendo uma espécie de sintetizador, com suas devidas restrições. O que me encantou foi justamente um vídeo no YouTube que mostrava como funciona:
Video: LINK

Então eu comecei a caçada por um. Já escasso aqui no Brasil eu achei um funcionando porém com o visor LCD detonado. Ainda sim, pelo valor, comprei. Chegou e descobri que era só um dos problemas, o som estava beeemmm baixo.

Com algumas gambiarras consegui parte da tela LCD de volta e amplificar um pouco o som, o suficiente para poder operar e curtir.

Uma das músicas que me motivaram a voltar ao teclado é a conhecidíssima Megalovania. Se voce não faz idéia vem de um jogo indie fantástico chamado Undertale, que aliás, o compositor, Toby Fox é genial, o jogo tem excelentes músicas

Video: LINK

Eu tentava no violão e não conseguia por conta das minhas deficiências de aprendizagem como não saber usar palheta pra tocar, mesmo sabendo tocar por mais de 20 anos.

Foi então que no teclado, desta vez da minha esposa, um Casio CTK-501, excelente por sinal, que consegui tirar alguma coisa. Então a paixão reacendeu.

O Casio CTK-501

E o melhor, agora adulto percebo o quão um teclado é legal, mais legal que violão, guitarra e outros instrumentos. Ele é simples no conceito de disposição das notas, tudo a mão, sem decorebas chatas onde estão as notas, ao mesmo tempo poderoso para quase qualquer coisa que queria tocar.

Então veio o conceito que o VL-TONE me atiçou, música e games. Porque não encontrar um teclado que soasse como um videogame? Melhor, como o Mega Drive?

Procurando que nem um doido por algum teclado deste tipo eu cheguei ao Yamaha PSR-3. Uma coleção de timbres absurdamente característicos, lembrava tanto o Mega Drive quanto a placa de som Sound Blaster usando MIDI.
Video mostrando todos os timbres: LINK

Então foi aí que saquei, o caminho era de novo um Yamaha. Eu já tive um e sabia que era bom, era questão de achar outro legal.

Aí entendi que tinham teclados com som FM e por Samples. O que eu tive eram Samples, o que tirava um pouco a graça, o objetivo era um com chip FM, igual ao PSR-3.

Pesquisando mais, cheguei no monstro sagrado, o Yamaha DX7. Foi daí que fizeram o YM2612 do Mega Drive, ou seja, o teclado perfeito para o que eu queria. Mas rapaz... É caro um hoje em dia...

Tem também o DX27 e o DX100. Variações mais modestas do DX7. Este último é especificamente interessante pois é compacto e ainda tinha parte do poder o DX7.
Yamaha DX100, menor, capado mas ainda poderoso


Nada de achar algum que preste... Foi então que acabei encontrando uma pessoa vendendo no OLX um PSS-270.

Qual é a grande sacada desse carinha aqui? Som FM, e justamente de um YM2413, o mesmo do Master System e MSX!

Cara, eu precisava ter ele. Então eu corri atrás e comprei de uma senhora muito simpática. Era da filha que se mudou e estava em excelente estado, só faltando a tampa de pilhas. Uma sorte grande.

Voltei feliz pra casa com ele. Comecei a tirar melodias de músicas de videogame que me interessavam mas logo veio uma limitação, timbres, e com ele vinha a necessidade de conexão MIDI. Também teve outra limitação, pitch bend, um efeito bem legal que tinha em teclados mais avançados.

Com MIDI eu podia virtualmente ter qualquer timbre. Eu tenho um cabo MIDI USB bem vagabundo que eu uso para emular o Roland SC-55 no meu PC 486 e eu tinha conseguido usar no Casio CTK-501. Isso me fez roubar o teclado da minha esposa algumas vezes...
Mas o que me pegava era o tamanho e o peso do Casio, 61 teclas é o ideal mesmo mas o espaço curto do recém montado quartinho não permitia um teclado de um metro.

Foi então que voltei às pesquisas e de tanto procurar achei um bem legal, Yamaha PSS-595.
Compacto como o PSS-270 porém aqui tinha samples. Mas são bons samples! Até mesmo alguns que simulam sintetizadores muito bons. O Órgão em especial era meu preferido. Mas tinha o bendito MIDI e isso trouxe muitas coisas legais.

Também em ótimo estado mas foi um pouco mais salgado. Curti muito ele junto do PSS-270 e VL-TONE.

Porém conversando bastante com o Eric Fraga, sim, do Cosmic Effect, me deu uma dica muito importante.

Patches, como são chamados os arquivos que contém timbres, são inebriantes como uma pasta cheia de ROMs de um console. Traz o mesmo perigo, ter tudo e ao mesmo tempo não fazer nada com aquilo tudo. Então o segredo era ter o pé no chão e explorar aos poucos.

Atento ao que ele me falou percebi que de fato era melhor se ater a aprender algo mesmo ao invés de ficar "imitando" sons.

Fui evoluindo na brincadeira, tirando melodias de músicas muito legais que inclusive fiz alguns videos no meu canal, a exemplo Megaman X, Boomer Kuwanger
Video: LINK

E em meio a tudo isso conheci um projeto que mudou tudo sobre o que podia fazer com um teclado, o projeto Dexed.

Este projeto é um plugin de áudio, um VST, onde ele emula um DX7 por completo. Disponível para computador (Windows, Linux e Mac). 
Teve um abençoado que fez ele ser usado em um Raspberry Pi como um aparelho completo, o MiniDexed.

Link do projeto: LINK

Eu tinha um Raspberry Pi 1B totalmente a toa aqui. Era o suficiente para ser o equivalente a um DX7 completo. 
Com os RPis mais potentes você pode ter até oito DX7 ao mesmo tempo.
Comprei as peças e montei o que foi a melhor peça de hardware que já havia montado até hoje. Sério, era de fato algo robusto e que funcionava sem problemas.

Isso simplesmente mudou os planos. Eu estava até mesmo pensando em integrar o um teclado com MIDI, não no PSS-595 que tava impecável e não ia estragar ele, mas se eu pegasse um meia boca, colocasse o Mini Dexed dentro, fizesse tudo bonitinho, era essencialmente um DX7 acessível.

Foi então que fazendo um dos meus hobbies prediletos, fuçar no Facebook Marketplace, que me aparece isso:
Eu tive um troço. Como um teclado que custa 4000 reais tava por esse valor?

Claro, na primeira foto já mostrava parte do problema, o estado de conservação.

O cara também tinha outro lendário a venda, nada menos de um Roland D50

Eu fiquei embasbecido. Não tinha o dinheiro mas queria tentar ao menos negociar, não queria perder a chance.

Foi então que percebi que o DX7 tinha um bônus, um baita bônus aliás 
Essa caixinha tinha nada menos 700 timbres para o DX7. Um dispositivo bem raro e que ampliava e muito a capacidade do teclado, tudo via MIDI. Você pode usar diretamente ou mesmo gravar o timbre na memória do DX7.

Porém, ao menos pra mim, ela era um exagero. Um novato como eu não ia aproveitar ela como deveria. Foi então que fiz uma proposta de vender sem esse equipamento para abaixar o valor. Ele topou por 700 reais. Setecentos f*cking Reais!

Não pestanejei. Juntei as moedinhas que tinha (e não tinha) para comprar. Chamei meu cunhado e esposa e fomos buscar.

O vendedor super gente boa, me explicou tudo do teclado, o porquê do valor e ainda me ajudou com umas dicas. Ou seja, a venda foi sincera, sem sacanagens e eu sabia aonde estava me metendo, ia precisar mesmo de manutenção.

Quando cheguei em casa, eu percebi que eu tinha acabado de fazer uma grande loucura, fato que não me ocorria já muito tempo, mesmo com videogames. Ao mesmo tempo foi um achado extremo, precisaria de minha parca habilidade de manutenção para resolver os problemas eletrônicos que tinha.

Nesta mesma toada o PSS-595 foi embora, vendi. Eu até queria ficar com ele pois era muito bom mesmo, mas a função dele foi ocupada pelo DX7, ou seja, usar MIDI e também o espaço é escasso aqui.

De início percebi a membrana detonada, ferrugem em alguns pontos e os sliders de volume e data entry falhando.

Porém as teclas estavam funcionando, todas, com velocidade das teclas OK e o melhor, as roldanas do Pitch Bend e Modulation também 100%.

Agora era hora de arregaçar as mangas, esquentar o ferro de solda e mandar bala no que eu conseguisse.

O problema dos sliders eram mesmo os próprios sliders, gastos demais, mesmo limpando não resolvia. O jeito era comprar novos. Veja que já tinha uns remendos aqui, inclusive os postes de apoio para os parafusos estavam faltando.

Quando eu fui ver o valor de cada um, 127 reais. Tenso.

Mas fui olhar o esquema elétrico do teclado, curiosamente não usava os seis pinos, apenas três.

Foi então que encontrei o que tem apenas três terminais, 7 reais. Sério, apenas 7 reais.

Fiz a substituição, tive que furar a placa para entrar os novos potenciômetros, soldei e deu tudo certo, funcionando perfeitamente.

Outro problema que notei, a placa de seleção de timbres estava rachada, causando mal contato em boa parte dos botões. Esta placa pelo jeito deve ser um Calcanhar de Aquiles pois fica bem em cima do transformador e o calor com o tempo resseca a placa e ela acaba quebrando.
Aqui o conserto foi super cola, bicarbonato e solda.

Mas claro, isso era pra fazer funcionar adequadamente, ainda precisava cuidar da estética.

Eu tinha um papel contact com o desenho de madeira, bem escura. Comprei para refazer meu PC486 que já está com arranhões no que apliquei. Aí pensei, já que ele visualmente estava detonado, porque não customizar um pouquinho?

Então eu desmontei o teclado, bem temoroso de dar problema, mas não tinha opção, se era pra fazer algum trabalho razoável eu precisava fazer isso.

Painel desmontado e pronto para ser lixado pra tirar a ferrugem pesada que tinha.

Lixado, limpo e com o contact aplicado. Um DX7 Wood estava nascendo.


Aplicado também na parte inferior onde desmontei parte das coisas, apliquei o contact também e ficou bem melhor.

Comprei uns pézinhos de EVA, seis, e apliquei embaixo dele também. Veja que eu não cobri toda parte debaixo com o contact, não tinha necessidade e eu tinha pouco para aplicar.

Eu fiz parte da membrana, desenhando a mão mesmo, a parte que faltava, apenas para poder usar melhor pois a falta das teclas atrapalhavam para programar os timbres. A intenção é fazer no computador, imprimir e usar um papel contact transparente de visual jateado para repor. Eu já encontrei para trocar a membrana, mas 500 reais é meio salgado pra quem comprou o teclado por 700.

Agora sim o DX7 está em estado razoável e funcional.

E eu precisava de um lugar legal pra ele. Mover 15Kg, com risco de derrubar uma peça tão rara, eu tinha que mexer no já limitado espaço do quartinho dos jogos.

Foi então que olhando para o que tinha disponível, comprei alguns parafusos, juntei umas madeiras que tinha e nasceu uma mesa bem forte pra ele.
E hoje tenho um lugar perfeito para ele, o PSS-270 e o VL-TONE.

Os sliders que estavam faltando eu encontrei uma pessoa que imprime 3D pertinho de casa, pedi para imprimir alguns na cor similar aos botões da membrana.
E o resto dos arranhados e ferrugem acabei deixando. Para conseguir reformar essa parte exige um trabalho bem profissional, além do meu alcance,  também queria que ele tivesse algumas marcas, mostrando que ele é um sobrevivente direto de 1983.

A parte boa é que já tinham feito a modificação da bateria para um soquete, bastando trocar a CR2032 que tava ali.

Os timbres já estavam apagados, eu estou colocando um a um, programando manualmente cada um deles para recuperar, porém alguns eu vou modificar e deixar no final pois são somente efeitos sonoros que não tenho interesse em usar.

Que saga, que acabou com um baita final feliz e tenho o teclado definitivo, ao menos pra mim.

Ainda não tenho nenhum vídeo do DX7 em ação, mas tenho outros bem legais que fiz com o VL-TONE, PSS-270 e o Casio CTK-510 com a Mini Dexed ligado. Lembrem, é um completo novato brincando de tirar melodias, perdoem o amadorismo.

Video: LINK

Video: LINK

Nenhum comentário:

Postar um comentário